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Congresso Brasileiro de Skate CBSk Loterias CAIXA discute futuro da modalidade no País


Grazi Oliveira e Beto Mendes - Foto: Julio Detefon Publicada em: 15/12/2021

São Paulo foi palco, nesta terça-feira, do Congresso Brasileiro de Skate CBSk Loterias CAIXA, encontro que reuniu diversos agentes do mercado do esporte, entre marcas, dirigentes e entusiastas da modalidade. A série de painéis e palestras discutiu o mercado do skate e o futuro do segmento, especialmente após um ano de popularização acentuada, com o surgimento de novos ídolos, pistas e praticantes.

O evento foi realizado no Hotel Prince Tower, no bairro do Bom Retiro, com cerca de 200 participantes em cada palestra. Por conta da pandemia do Covid-19, todos os presentes tiveram que apresentar o passaporte vacinal ou o teste PCR, para evitar a contaminação do vírus em tempos ainda difíceis da pandemia.

“Estamos muito felizes por termos conseguido promover esse dia de diálogos sobre os desafios de agora e do futuro do skate brasileiro. Reunimos em um mesmo espaço lideranças importantes da cena, procurando dar voz e, ao mesmo tempo, buscando um sentido de unidade para todo esse movimento. Acredito que esse é o caminho para fortalecermos cada vez mais o skate institucional no Brasil”, destaca Eduardo Musa, presidente da Confederação Brasileira de Skate (CBSk).

“Depois de muito tempo sem ter essa oportunidade de ter o congresso, a gente conseguiu reunir pessoas super importantes para a cena do skate brasileiro. Acho que o grande fator realmente importante para essa cena hoje é o diálogo. A gente conseguir abrir o diálogo com os órgãos públicos, com a iniciativa privada, com todo esse universo de profissionais que estão inseridos no skateboard. Foi super importante o debate, trocar ideia. E esse é só o começo. Tem muito mais por vir”, comenta Eduardo Dias, vice-presidente da CBSk.

A Loterias CAIXA, patrocinadora oficial da CBSk e do congresso, também esteve presente no evento, inclusive com palestra de Edilson Carrogi, diretor de Fundos de Governo da CAIXA, que fez questão de participar do encontro para estar cada vez mais dentro do universo do skate.

“Para a Loterias Caixa, é uma alegria participar do Congresso do Skate. Nós acreditamos muito no alcance que o skate tem, na cultura que emerge da sociedade a partir de quem vem do movimento do skate. Isso tem tudo a ver com as Loterias, com tudo o que a Caixa acredita, de inclusão social, de estar presente, de fazer parte da vida dos brasileiros e das brasileiras. Estamos muito animados para manter essa parceria e ter cada vez mais crianças inspiradas com o skate, sonhando em ser os próximos campeões e campeãs”, afirmou Carrogi.

As Loterias CAIXA e o Governo Federal são os patrocinadores oficiais do Congresso Brasileiro de Skate. O evento foi realizado pela Confederação Brasileira de Skate (CBSk) com produção da Vista.

Painéis
Indústria e mercado do skate
Na primeira apresentação do dia, Pietro Giovanelli, head de operações da Vans, e Rafael Narciso, fundador da marca brasileira Öus, foram os responsáveis pelo painel “Indústria e mercado do Skate”. Com os cases de uma das mais tradicionais marcas do skate mundial e de uma empresa que se consolidou no mercado nos últimos anos, os dois executivos contaram para o público algumas das particularidades do segmento.

Giovanelli e Narciso também comentaram dos desafios dos últimos meses, com o skate em evidência mesmo neste momento de pandemia do Covid-19, e como a indústria teve que se adaptar, com a digitalização de processos e com a possibilidade de chegar a novos públicos.

Outro tópico abordado pelos executivos foi o modo como a indústria teve que se adaptar ao crescimento, ao novo público, mas sem perder a essência que gira a modalidade e seus fãs mais tradicionais.

“Quando nós estamos falando de skate, nós estamos falando de cultura, de música, de moda, de arquitetura. É uma indústria que abrange muita coisa. É uma parte cultural muito rica”, lembrou Giovanelli. “A alma do skate tem sempre que existir. Senão, é só business. E aí, o mercado se perde”, complementou Narciso.

O skate visto de fora
No painel seguinte, o tema “O skate visto de fora" mostrou como executivos de marcas que estão fora do universo do skate enxergam a modalidade. As palestras foram comandadas por Edilson Carrogi, da CAIXA, e Bruno Cremona, gestor de Estratégia de Marketing da Monster Energy Drinks.

Carrogi ressaltou a importância do esporte para a CAIXA; a empresa já investiu R$ 1,13 bilhão no segmento somente neste ano. Com patrocínios a diversas entidades esportivas, inclusive à Confederação Brasileira de Skate (CBSk), a empresa é a principal apoiadora do esporte no Brasil. No Congresso, o skate foi exaltado pela ligação com o público das Loterias.

“Para o patrocínio, há a questão de branding, mas há também o apoio a uma modalidade jovem, extremamente democrática, com um espírito muito bacana. E tudo isso tem muito a ver com as Loterias. Por isso, na CAIXA, nós falamos muito em ‘conexão’ no patrocínio ao skate”, comentou o executivo.

A Monster, que patrocina diversos atletas da modalidade no Brasil e no mundo, apontou o quanto a companhia está satisfeita e animada com o momento do esporte. No Brasil, por exemplo, a empresa mantém parceria com a medalhista olímpica Rayssa Leal.

“A cultura do skate tem uma sinergia muito grande com a marca Monster. É uma conversa franca, simples. Nós vamos dar ‘all in’ no skate. Temos certeza de que ele terá um protagonismo muito grande”, afirmou Cremona.

Transformação social através do skate
Após o almoço, foi a vez do painel “Transformação social através do skate”, apresentado pela canadense Rhianon Bader, do The Goodpush Alliance e da ONG Skateistan, e por Sandro Testinha, fundador da ONG Social Skate, em Poá, região metropolitana de São Paulo.

A Skateinstan foi criada pelo skatista australiano Oliver Percovich, que começou no Afeganistão e hoje tem projetos espalhados por vários lugares do mundo.

“Começamos há 3 anos. E hoje já atendemos mais de 500 pessoas em diversos lugares do mundo, incluindo no Brasil. São mais de cem no Brasil”, cravou Rhianon Bader.

Sandro Testinha começou a trabalhar o Social Skate em 2000 com internos da Fundação Casa (antiga Febem). Durante 10 anos, o projeto percorreu unidades de todo o estado de São Paulo. Em 2011, nasceu a ONG Social Skate, em Poá (SP). Por meio de atividades esportivas, culturais e de lazer, a entidade promove inclusão social, educacional e cultural de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.

“Às vezes, as pessoas chamam de utopia, mas nós podemos ir muito além do esporte. Dá para colaborar em tudo, em violência, fome, em diversas questões sociais”, complementou Sandro Testinha, que atuou diretamente junto com a Confederação Brasileira de Skate na frente CBSk Skate Social Loterias CAIXA - já são mais de 100 iniciativas mapeadas e em diálogo com a CBSk.

Futuro do skate
O quarto painel do dia teve como tema “Futuro do skate”, abordando as oportunidades que têm surgido no esporte, especialmente após o sucesso da modalidade nos Jogos Olímpicos de Tóquio.  E, para discutir o assunto, dois skatistas falaram sobre o esporte, com a lembrança das origens das pistas.

Lincoln Ueda, conhecido como “japonês voador”, ganhou fama com seus aéreos gigantescos e, no Congresso, foi mais um que lembrou da importância de manter alguns pilares da modalidade neste momento de popularização. “A noção de que eu tenho é que o skate passa por uma transformação bem grande, na parte social e na parte esportiva. Mas eu sempre lembro que nós, que temos mais tempo no esporte, temos que mostrar para a nova geração que o skate é mais do que é feito nas competições. É um estilo de vida, é alegria”, afirmou.

Lucas Xaparral, skatista profissional com mais de vinte anos de carreira, reforçou as palavras de Ueda. Para o atleta, se a cultura que envolve o esporte for ignorada, os avanços na parte social e esportiva serão perdidos. “Essa é a maior transformação da história do skate. No começo, tinha gente que via com desconfiança. Mas hoje fica claro que o lado positivo tem sido muito maior”, complementou.

Políticas de pistas públicas
O dia de discussões foi encerrado com o tema “Políticas de pistas públicas”, para abordar questões burocráticas que existem na ampliação da estrutura para o skate, modalidade que não tem padronização na construção de pistas. Para falar sobre o assunto, estiveram presentes o arquiteto Fred Cheuiche, diretor da SPOT Skateparks, e Caio Peres, fundador da Pug.

Peres, por sinal, começou com a lembrança de que hoje, com o momento de alta popularidade do skate, diversas cidades e órgãos públicos passaram a se interessar mais pelo segmento, mas não há tantas empresas especializadas no segmento. “A demanda explodiu, mas nem sempre é possível atender a todos. Todas as pistas exigem um projeto e um método de construção. Sem isso, não há pista”, explicou.

Cheuiche também lembrou a necessidade de manutenção das pistas, tanto em questões físicas quanto em questões sociais. “Algumas vezes, há confusão relativa à liberdade que envolve o skate. Então começa a ter consumo de droga, que gera tráfico, depois roubos. Se não houver cuidado, a pista gera uma função social totalmente diferente do que foi originalmente pensada. E serve de argumento para o poder público acabar com o local”, finalizou.


Foto: Julio Detefon Caio Peres (Pug Skate) e Fred Cheuiche (Spot Skate) - Foto: Julio Detefon Lucas Xaparral e Lincoln Ueda - Foto: Julio Detefon Sandro Testinha (ONG Social Skate) e Rhianon Bader (ONG Skateistan) - Foto: Julio Detefon Bruno Cremona (Monster Energy Drinks) e Edilson Carrogi (Caixa Econômica Federal) - Foto: Julio Detefon Edilson Carrogi (Caixa Econômica Federal) - Foto: Julio Detefon Rafael Narciso (Öus) e Pietro Giovanelli (Vans Brasil) - Foto: Julio Detefon Foto: Julio Detefon


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