Com
iniciativa do skatista profissional Alessandro McGregor, a CBSk está
lançando a campanha A IMPORTÂNCIA DO PRO-MODEL, que tem como objetivo,
a conscientização da necessidade do pro-model (modelo profissional) e
combate aos shapes lisos (produtos sem aval de skatista profissional).
A entidade recrimina todas as empresas que venham a fabricar produtos
sem certificação de um skatista profissional.
"Quando o Alessandro
McGregor entrou em contato e expôs a sua idéia e sua intenção, não
pensamos duas vezes em apoiar a iniciativa. Apesar de a CBSk ser uma
entidade de âmbito esportivo e não ser seu papel e nem nossa intenção
interferir em assuntos relativos ao Mercado, entendemos que é nosso
papel sim zelar pela boas condições de trabalho dos skatistas
brasileiros. A mobilização em prol desta Campanha é importante também
para que mais pessoas participem de ações que colaborem para os rumos
do Skate no país e principalmente, que percebam que a responsabilidade
é de cada um que vive de Skate e que a CBSk está aberta e disponível
para parcerias desta natureza", explica Marcelo Santos, presidente da
Confederação Brasileira de Skate.
A campanha A IMPORTÂNCIA DO PRO-MODEL conta com apoio de diversos
skatistas e empresários, entre eles, Alexandre Vianna (revista
CemporcentoSKATE), César Gyrão (revista Tribo Skate), Carlos Eduardo
Dias (Drop Dead), César “Gordo” (skatista profissional e sócio da
Matriz Skateshop), Daniel Atássio (Ambiente Skateshop), Marcus Cida
(skatista profissional e sócio da Matriz Skateshop), Alex Carolino
(skatista profissional), Carlos “Sabiá” (Anti Action), Guilherme
“Gnomo” (skatista profissional), Tiago Moraes (revista +Soma).
A IMPORTÂNCIA DO PRO-MODEL
O
PRO-MODEL (modelo profissional) é aquele produto vendido com o nome de
um skatista profissional. O skatista participa do desenvolvimento dos
produtos, sejam shapes, eixos, rodas, tênis, e até mesmo, peças de
vestuário. Sua assinatura é o selo de qualidade, em que ele endossa
tudo que for produzido com seu nome, e, é a garantia de que o
consumidor está adquirindo mercadorias confiáveis.
Infelizmente,
o mercado brasileiro de skate atual não oferece muitas opções de
pro-models de shape. São pouquíssimas empresas que lançam models
assinados, peça fundamental e que sofre grande desgaste durante a
prática.
Pela briga de concorrência de mercado,
algumas empresas buscam os preços mais baixos para conquistar o
consumidor final. Para chegar aos valores, usam-se madeiras e resina de
má qualidades, breve tempo de prensagem, insuficiente para colagem das
lâminas, e, o mais importante, não contam com a aprovação de skatistas
profissionais.
Shapes de baixa qualidade
retardam a evolução das manobras e aceleram a necessidade da compra de
um novo. No balanço final, prevalece o ditado: o barato sai caro.
Comentários
“Sempre
digo que shape liso é como CD pirata, só ganha quem vende mesmo, porque
todo mundo perde, o governo, o mercado, e até mesmo quem compra, porque
o produto é de baixa qualidade. Shape liso é tão ruim, que a pessoa que
faz o shape não é nem capaz de por um nome para não queimar o nome da
marca. E quem comprou, não tem pra quem reclamar da baixa qualidade do
produto” - Alessandro McGregor, skatista profissional

"Desde
que eu comecei a andar de skate, me chamou atenção os nomes e os
gráficos que tinham embaixo dos shapes. Rapidinho dá pra lembrar de
nomes como Thronn, Beto or Die, Rui Moleque, que eram os models que
tinham na época. E na época a gente não tinha tanta informação, e eu
ficava viajando de como eram esses caras, como eles andavam, e aquilo
me marcou e até hoje eu consigo lembrar. A maior preocupação que eu
tenho com um model de shape, é que ele vai ser usado por um skatista
que nem eu, que busca a qualidade e a evolução", Cesar Gordo, skatista profissional e sócio da Matriz Skateshop
"Valorizar
o skatísta profissional, dentro da máquina do mercado, é uma das chaves
do crescimento de dois pilares: o consumo e o esporte. E os dois se
puxam sempre. É só acompanhar a história do mercado de skate no mundo e
perceber que os grandes picos de vendas e crescimento das empresas ao
longo das décadas, estão sempre ligados a alguma "Equipe de skatistas
de destaque" que foi montada por um marketeiro estrategista.
Bones Brigade, Plan B, Girl, éS, e no Brasil: Lifestyle no final da
década de 80, Drop Dead nos anos 90, ou mais recentemente a Latex. As
marcas fortes do nicho nada mais são do que o reflexo dos skatístas que
vestem a camisa e assinam os produtos e campanhas da marca. Então
modelos de shapes assinados, peças assinadas, são a base do sucesso de
vendas. Muitos empresários me falam; "eu não invisto tanto em equipe de
skatístas e vendo da mesma maneira". E o engraçado é que, na semana
seguinte, esse mesmo empresário está reclamando que não cresce, que tem
muita inadimplência, que o produto não sai da prateleira. Será que não
é óbvio que uma coisa está ligada a outra? O skatista profissional é a
base do mercado." - Alexandre Vianna, skatista profissional, jornalísta, fotógrafo e editor da CemporcentoSKATE.
"Historicamente,
o skate começou a se firmar e se estruturar quando os skatistas
começaram a lançar seus pro-models, como aconteceu nos Estados Unidos
com Tony Alva, Stacy Peralta, entre outros, no meio da década de 70,
Steve Cabalero, Cristian Hosoi e Tony Hawk no começo dos anos 80. Esta
forma foi que possibilitou os skatistas mais carismáticos a ganharem
dinheiro e se motivarem a continuar treinando e elevando o nível do
skate no mundo. Com isto, os fãs destes skatistas também foram
incentivados a comprar os shapes de seus ídolos, o que aumentou as
vendas das empresas que fabricavam os pro-models, que por sua vez,
reinvestiram em mais eventos e turnês, patrocínio de skatistas
amadores, anúncios em revistas e skate parks. Desta forma construiu-se
um saudável ciclo no skate, que propagou pelo mundo, inclusive no
Brasil. Ajudando-o a atingir o atual estágio de exposição na grande
mídia, um considerável número de praticantes, pistas, campeonatos,
revistas, vídeos etc. Quando alguém compra um shape liso, quebra toda
esta corrente que os skatistas ajudaram a construir com muito
sacrifício e luta durante décadas e está, a longo prazo, ajudando a
matar o esporte/estilo de vida que tanto amamos. Também, os shapes
lisos não tem boa qualidade e tem vida útil proporcional ao preço de
venda. Portanto, quando se compra um shape liso, além de não estar
contribuindo para o desenvolvimento do skate, está jogando dinheiro
fora, pois com certeza, aquele produto não irá durar tanto quanto um
assinado por um skatista profissional. Este sim teve todo trabalho de
acompanhar a elaboração do shape para que não quebrasse facilmente,
tivesse um bom concave e corte, ajudasse na execução das manobras,
tivesse um desenho bonito e não manchasse o nome que ele teve tanto
trabalho em popularizar. Por tudo isto, eu sou contra a fabricação e
comercialização do shape liso. Se você ama realmente o skate, faça um
investimento em você mesmo, gaste uns trocados a mais, porém compre um
shape assinado por um skatista profissional!” - Ed Scander, skatista há 23 anos e diretor da CBSk

“Depois
de tantos anos de mercado, podemos observar que não existe milagre para
o preço baixo, mas sim uma falta de caráter de alguns empresários, pois
quando colocados todos os custos de matéria prima de alta qualidade,
como as nossa, pagamento de fornecedores, funcionários, o preço não
pode ser diferente do obtido. Com isso, acabamos encontrando diversas
empresas que nem registro tem, ou seja, não pagam impostos, não pagam
os funcionários, utilizam matéria prima de baixa qualidade e por
conseqüência, não respeitam os atletas. Podemos ainda analisar o
desrespeito com a qualidade de shape através da mistura de madeiras,
resinas e outras matérias-primas que tem como objetivo 'fazer render' o
custo e baixar o preço do produto, mascarando sua qualidade. Desde o
inicio de nossa fabricação de shape, buscamos sempre deixar claro que
nossos shapes eram SHAPES PROFISSIONAIS, ou seja, desenvolvidos com
muita seriedade. Somos especialistas no que fazemos e para isso, sempre
buscamos atletas conceituados para fazer parte de nossa equipe. Hoje, a
Anti Action tem seis skatistas profissionais endossando o produto” - Carlos “Sabiá”, skatista profissional, fabricante de shapes (Anti Action e Represent)

“A
valorização do pro-model é de extrema importância, porque representa o
profissional e é ele quem está fazendo a fomentação principal do
esporte. Ele que está no topo da pirâmide, servindo de exemplo para que
novos skatistas apareçam e fortifiquem cada vez mais o skate”, Guilherme Gnomo, skatista profissional

“O
mercado do skate brasileiro atual se deve também pelo trabalho feito na
década de 80, pelas marcas da época que cultivavam models assinados:
Urgh!, Lifestyle, Nitro, H. Prol, Sims, Flywalk, etc. E, se hoje, as
empresas não fabricarem pro-models, não construirão ídolos. O que será
do mercado brasileiro no futuro, sem a herança histórica do culto ao
profissionalismo? E, os skatistas profissionais precisam zelar pela
reputação da categoria, pra não ser banalizada” - Sidney Arakaki, skatista profissional e jornalista (Retta Skate)
“Na
minha opinião, o pro-model de peças de skate é importante quando ele é
desenvolvido para impulsionar o mercado para um nível superior de
qualidade e design. Mas, quando é feito apenas por razões financeiras,
daí acho que pega mal para o mercado. Tem muitas empresas
descomprometidas que fazem lixo e tem muitos skatistas medíocres que
assinam o lixo pra fazerem dinheiro. Pra mim, o pro-model serve como
motivação pra aprimorar o produto, porque em geral, o skatista
consumidor é exigente no aspecto qualidade e design. Eu também posso
dizer, que no caso da Crail, por exemplo, ele funciona como uma
extensão da nossa comunicação com o consumidor final, além obviamente,
de ser uma fonte de renda para o skatista profissional que assina o
produto. Na Supa, valorizamos todos os profissionais que trabalham
conosco, e com os skatistas, não poderia ser diferente. Cada
colaborador aqui tem um importante papel na estrutura. O papel deles é
crucial para manter as nossas marcas vivas na mente dos nossos clientes” - Sergio Bellinetti, fundador da Crail Trucks e proprietário da distribuidora Supa

“Bom,
na minha opinião, isso já devia ter sido feito faz tempo! Mas, também
acho errado a marca lançar o model do cara e não pagar pela comissão de
vendas, como imagino que aconteça! Pois sei também que vários
profissionais trocam o salário que deveria ser pago em grana, por certa
quantidade de shapes a mais. Assim como acontece com patrocínios de
roupas. Outro ponto que pesa, é que na maioria dos casos, o fabricante
de shape coloca alguns reais a mais no preço do pro-model. Sei que não
é tão injusto! Mas na região Nordeste por exemplo, isso dificulta do
consumidor comprar, já que é mais caro, mesmo que pouco. Daí, alguns
lojistas preferem pegar shape sem ser pro-model. Portanto, acho que
esse projeto deve ser bastante estudado para que ambas as partes sejam
beneficiadas. Como disse, concordo com a organização e regulamentação
desse assunto, mas tem que ser bem trabalhado. Algumas sugestões minhas:
- Model de shape com desenho desenvolvido e aprovado pelo skatista.
- Piso mínimo de comissão por shape vendido.
- De alguma forma a empresa deve provar que a quantidade de shapes é a mesma que repassa a comissão.
- Se a marca não produzir shape, se esse não for seu produto, não acho
que deva se adaptar a esse custo a mais para eles. Pois acho que cada
qual no seu cada qual.
Mas se o skatista e a empresa optarem por fazerem um esquema de salário
direto, tipo, fazendo um acordo de valor independente do que venda a
mais ou a menos o shape, também seria importante.” Júlio Detefon, skatista profissional e editor do Ôxe Skate Zine

“Quando
me profissionalizei como skatista, em 1991, tive meu modelo de shape
lançado no mercado. Até hoje encontro pessoas por todo Brasil que
comentam sobre este pro-model, dando as características de corte e
desenho, lembrando que isso fazem 17 anos”, Fabio Schumacher, skatista profissional

"Falta
no Brasil, as marcas criarem idolos. Isso só acontece, entre outras
ações, fabricando produtos com assinatura do skatista. Lembro até hoje
dos shapes que usava quando comecei a andar. Shapes do Leo Kakinho,
Thronn, Xixo, entre outros. Hoje em dia grandes profissionais não tem
model de shape. Muitos empresários acreditam que o nome do atleta não
vende, que se botar o nome do atleta ou vender um shape liso é a mesma
coisa. Isso acontece porque eles nunca andaram de skate, não sabem o
quanto os moleques se espelham nos profissionas quando estão começando
a andar. Hoje tem milhares de marcas de shape no mercado, marcas que a
gente nunca viu, não sabe de quem é e que não patrocina ninguém. O cara
vai lá, faz um shape tosco e bota com o preço lá embaixo. Isso só
estraga o trabalho de marcas que investem, que pagam um salário para o
skatista, que fazem tours, que tentam fazer o skate crescer . Ao invés
das marcas tentarem melhorar os shapes com novas tecnologias, eles
tentam achar uma forma para baixar o custo do shape. No final, acabamos
andando com um shape pesado e fraco. A compra de produtos assinados por
atletas ajuda muito no crescimento do mercado, skatistas e da marca.
Isso vale para qualquer produto, não só o shape", Rafael Russo, skatista profissional

“O
shape liso é uma falta de vergonha, onde o empresário só pensa no lucro
dele e não paga o artista, muito menos o skatista que é quem faz tudo
acontecer. Deveria vir com um $ em vez de liso”, Mauricio Cocão, skatista profissional e sócio proprietário da Terceiro Mundo Shop
“Espero
que o empresário se ligue cada vez mais que no final das contas, quem
faz o mercado é o profissional que rala o tênis na lixa o dia todo e
que representa as marcas. Esses profissionais dependem da comissão na
venda dos shapes e precisam ser tratados como a ponta da pirâmide que
tem como base o consumidor final. Acho que, se as marcas valorizam seus
profissionais, isso fica claro para o consumidor que por sua vez vai
valorizar ainda mais seus produtos. Não concordo com shapes lisos e não
vendo em minha loja.” - Daniel Atássio, skatista e proprietário da Ambiente Skateshop
“Eu
entendo, na real, que a questão não é só de ter ou não pro-model. Vai
bem mais além. As marcas não só deixam de dar retorno para o skatista
profissional, como também deixam de investir no próprio skate e todas
as suas vertentes, atletas, lojas, eventos, produtos, etc. Essa
concorrência desleal acaba prejudicando quem sempre investiu no skate!
E aí, o que acontece? As marcas que fazem e respeitam o skate deixam de
vender, perdem força para investir, ou seja, os papéis se invertem, o
que chega a ser absurdo! No geral, é preciso mais profissionalismo por
parte dos atletas. Não darem apoio à essas sub-marcas. Os lojistas não
comprarem e por sua vez, o consumidor se conscientizar e não dar
crédito também. Esse é meu ponto de vista” - Carlos Eduardo Dias (Drop Dead)
“Não teríamos ídolos, não teríamos arte... e não sería SKATE” - Christopher Beppler, diretor financeiro CBSk
"Pior
é que tem empresas que tem essa consciência e mesmo assim continuam
vendendo shape liso. Aí é complicado, né! O cara sabe que pode
colaborar pra melhorar com o mercado que ele mesmo vive reclamando e
não faz! Tá amarrado?", Jean Duarte, skatista profissional e proprietário da Sangbon Skateshop
“A
importância de ter um pro-model é criar um vínculo maior entre skatista
e a marca que o patrocina, desenvolvendo um produto de qualidade e do
jeito que o skatista gosta. Criamos assim ídolos e uma responsabilidade
do próprio skatista, pois ele não vai querer seu nome num produto de má
qualidade, combatendo produtos ruins no mercado, shapes lisos, shapes
mal acabados. Criando uma evolução dos dois lados, tanto da marca, que
buscou valorizar e fazer um produto bom, como também do skatista
reconhecido e valorizado, fazendo com que outras marcas sigam o caminho
mais vendável e lucrativo. Mas falta muita conscientização das duas
partes. Hoje, tenho uma marca de shape (Vegatal) juntamente com outras
pessoas. Na época que comecei, estava sem patrocínio de shape, mas meu
patrocinador de roupas (Snoway) entrou para o mercado de shapes pra
aproveitar meu vínculo e fortalecer a parceria. São projetos
diferentes, onde busco uma valorização do mercado e dos próprios
skatistas. A Snoway valoriza meu trabalho e com a Vegetal quero poder
contar com uma parceria com um skatista profissional em breve”, André Hiena, skatista profissional e sócio da Vegetal
